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December 2005
Explicite
December 22nd, 2005, 18:29
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Há um despreparo tão natural como lastimável do homem para lidar com as épocas festivas. Quando é a altura de se comemorar algo este tende a cair na retórica de que se não se fez nada até à data, para suavizar a dor dos que sofrem agressões, como a fome ou o abuso de crianças, nas suas mais tristes realidades, então deve-se censurar e aprofundar até ao tutano, o que ele chama de embustes, tipo o natal ou o dia da criança.
Que fiz eu durante todo o ano para num simples dia vir a aplaudir e a comemorar tais datas? – pergunta-se.
Bem é verdade que não fazemos nada, enquanto cidadãos privilegiados que gozam da mais plena liberdade, mas também é verdade que é nestes dias que se deve aproveitar
o nosso egoísmo para fazer algo, em prol doutrem.
Esta é a mais triste das realidades mas nós somos mesmo assim, vemos e fechamos
os olhos, durante o nosso dia a dia, ante o que nos entra retina adentro e depois
queixamo-nos se outros fazem algo em beneficiação do próximo que sofre misérias
e padece de outras dores.
Somos assim duplamente mesquinhos e eloquentes. Não fazemos antes então não vamos fazer agora, e a duvida persiste enquanto nos ralamos com o que o vizinho pensa.
Tenho para mim que o mais perto da realidade e da verdade de cada um é o que deve
ser concretizado. Se o homem, enquanto parte de uma comunidade, tende a funcionar
como um conjunto de pessoas, o que não faz sozinho, então que ele seja livre de agir segundo o seu comportamento, enquanto parte de uma população. É Natal! festejamo-lo.
Jorge Humberto
22/12/05
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O que sinto, quando escrevo?!...
December 20th, 2005, 19:41
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Escrever é antes de mais, um acto consciente, pluralista, sem grilhetas ou retrocessos.
Aquando da inicial, começar-se qualquer coisa (que leve ao autor a real capacidade, para desenvolver, de fora para dentro, o que dentro julgar ter, com algum tipo de verdade), dista já daí quer o que distancia, quer também o que predomina, num contexto residual, sobre qual – o ainda autor confesso – vai ter que ter de saber lidar, ao olhar para essas coisas, como coisas fora de si, adentro outras tantas casualidades temporais (...)
Quanto muito caberá ao escritor, em boa consciência, flexibilizar a sua força monopolizadora, refreando-lhe o sentido, ora suavizando-lhe a forma, usando para isso quer de um bom senso pessoal, quer ainda fazendo-se usufruir, de grada experiência, que ele sempre tem, de e para com as “massas”, totalmente irresponsáveis e dificilmente organizadas.
Não existe aqui, contudo, pertença alguma, quanto muito certa cedência (que se deseja mínima), de ambas as partes, numa correlação de esforço sincero – pragmático, quanto baste –, pois que assim escrever é como a um ofício, que, sendo bem desempenhado, moverá montanhas, despertando mentes, de muitos e maus vícios, no senso de si.
Assim sou eu – e ao que vou – e sinto, enquanto escrevo: uma imensa responsabilidade, que bem acato.
Jorge Humberto (10/12/04)
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Era tarde para morrer
December 18th, 2005, 14:56
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Era tarde para morrer – “pensara enquanto mastigava um pouco de pão ressequido”. Finalmente tinha morta a vida e seu estado era de uma penúria lastimável. Que tinha Nome tudo o fazia para recordar, e aceitar a culpa, como sendo sua, era uma obrigatoriedade. Porém estava velho, cansado e seu corpo, sempre tão vazio de tudo, movia-se qual Autómato por entre o cimento do concreto e o paralelepípedo dos olhos dos outros – negros Corvos de uma sociedade corrupta e castrante. (“Apercebera-se de como fazia frio Lá fora, na rua, quando dera o rosto ao vento e a brisa gélida entrara-lhe olhos dentro”). ”Quão longe vai o homem em sua perdição…” seria a antecâmara da fuga de sua vida, E assim compenetrado ia e lia, os subtítulos do seu próprio medo, assentes no pó do soalho, No qual rastejava ainda o seu sentido mais apurado. Submetendo cigarro após cigarro, tremura por sensações, pensamentos Por indigitações era o fumo o grande agente causador de tamanha poluição e fácil é o esquecimento Ante o sufoco sugerido. Ah! Não pensar em nada, seria possível?! “ Exclamou de repente.” Não, não era. “Finalizou entreolhando-se, censurando o brusco movimento de sua mão.” Não pensar em nada é pensar em tudo, duas vezes. “Concluiu de encontro ao peito da Porta, baque surdo da madeira cedendo”. -“Engole comprimido atrás de comprimido e consome-se por inteiro, num frenesim desesperado, Cá e lá na cama ou no chão, pela cura restabelecido!”
Jorge Humberto 15/12/05
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